Boom, in your face!!!
Como? É isso mesmo? Comigo? Insegurança maldita, que não me deixa viver as
coisas! Olha naqueles olhos de novo... Olha aqueles olhos de novo! Foram eles
que mandaram avisar! Sempre foi muito difícil pra mim lidar com elogios e essas coisas... E apesar d’eu ter melhorado... Caralho, vei... Caralho, vei!! Foram aqueles olhos mandando avisar que é
amor! Devolvi o olhar com uma ternura muito nua, escancarada... Eu sabia que
era/é absurdamente intenso, que há coisa muito forte entre nós, muito compartilhamento, muito carinho... muito amor. Mas, ouvir
aquele recado des-surrealizado(?) pela fala, deixou meu olhar tão mole quanto
ainda pode ficar! Ah, quão medíocres somos! Precisamos da fala para experienciar
~plenamente~ um sentimento que vem do outro. Aqueles olhos me diziam tantas
coisas... Mesmo antes das palavras, sei bem disso. Talvez a des-surrealização
da palavra falada faça até com que eles me digam mais agora... Mas por que precisei
da palavra para sentir isso tão mais intensamente assim? Foi tão bom ouvir...
Era isso! É isso, exatamente isso que existe aqui: amor! Talvez a fala ao invés
de des-surrealizar, abra, na verdade, um novo processo de surrealização. Realidade para
quem? E foi tão bom falar, também... Devolvi o olhar completamente nu e sorri,
disse que o sentimento era mútuo e a abracei aquele corpo (e olhar), o mais
próximo de um arabesco que meu corpo pôde fazer.
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