terça-feira, 20 de maio de 2014

A flor da melancolia sempre tenta se botar

Não me lembro exatamente o momento, mas esse poemeto veio se construindo em mim:

- Poemeto de minha maior ambição

Como arabesco, já não posso reduzir...
Abraço bem apertado
Até onde der
Até quando der
E então deixo ir. 

Aliás lembro sim... Começou durante uma conversa.... E depois do poema tenho pensado em amor, em compartilhamento, intensidade, reciprocidade... Comecei a pensar nisso por uma única frase: tenho medo.... Medo por quê, não é lindo isso? Por quê medo? Mas faz sentido... Envolve pessoas, amor, intensidades, disparidades e outras coisas. Mas foi o suficiente pra eliciar aquele meu olhar nas ruas, aquele olhar pra dentro. Esse olhar está bastante diferente do olhar antigo, mas ainda assim, é bem duro de viver com ele.
         Inicialmente, isso é, depois da frase, só pensei nas merdas, que ninguém gosta de mim e tal, mas depois passei a analisar mesmo... É barril mesmo, o medo é entendível! Deveríamos ter conversado ali mesmo na hora... Preciso conversar com ela sobre isso, para saber mais sobre o medo. O foda é que minha insegurança anda me lenhando bastante e dá pra ver que é sem sentido, mas não consigo parar, é uma merda!
         Mas aí, talvez por isso esse poemeto tenha se realizado... Talvez eu esteja percebendo que não consigo fazer isso que o poema diz com abraços muito intensos; ou que, na eminência de um possível descompasso, desencontro, eu me percebo despreparado para deixar ir... Sei que esse arabescar está sendo algo delicioso que eu venho praticando, sentindo como é pra mim; posso sentir muita coisa... Pensei sobre isso também, mas isso é assunto para outro dia, quem sabe.
         E aí fica um poema muito bom sobre as coisas transitórias e transformadoras que acontecem em nossas vidinhas marotas.


- Uma alegria para sempre 

As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se –
depois de tudo – tenha "ela" partido,
casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, ela
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do teu passado. E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando, deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer.

- Quintana

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